sábado, 21 de agosto de 2010

Fábulas de La Fontaine

A morte e o desgraçado
A ave que uma seta ferira
A raposa e a cegonha
A cigarra e a formiga
O corvo e o queijo
A galinha dos ovos de ouro
O carvalho e o caniço
O lobo e o cordeiro
O homem de meia-idade e duas damas suas
O galo e a pérola
A rã que quer quadrar c'o boi na corpulência
A ave que uma seta ferira Cravada mortalmente,
Por alado farpão, seu fado mísero
Uma ave deplorava:
Sofrendo em dor acréscimo dizia:
"Contribuir nós mesmas
Em nosso próprio dano! - Homens iníquos
Tirais nossas asas
Com que as farpas mortais o vôo estirem!
Mas não zombeis de nós, ímpia progenie;
Que sorte a nossa igual, se vos departe!
Dos filhos de Japet sempre a metade
Deu armas contra a outra."




O Carvalho e o Caniço O Carvalho, ao Caniço, disse um dia:
(Carvalho) Bem tens que te queixar da natureza,
Que c'os pés d'um picanço, frágil vergas;
Um bafejo de vento, quanto baste
A encrespar a flor da água, te assoberba;
Enquanto, igual ao Cáucaso, eu co'a fronte,
Não farto de atalhar ao Sol os raios,
Dos negros vendavais arrosto as fúrias.
Nórtias, com que anceias, são meus zéfiros.
Se ao menos te abrigarás com essas folhas,
Que esses contornos cobrem,
Tanto não padecerás;
E eu contra os temporais te dera amparo
Mas vocês nascem n'essas ribas úmidas
Aos escarcéus do vento avassaladas...
Com vocês foi injusta a Natureza.
(Caniço) Vem de boa alma o dó, que de mim
mostras;
Mas cesse esse cuidado.
Menos que a ti me é temeroso o Vento;
Que eu curvo-me e não quebro. Tu tégora,
Sem vergares o tronco, há resistido
As mais rijas refregas.
Vejamos até o fim. - Palavras ditas,
Eis do horizonte arranca furioso
O mais terrível filho,
Que o Norte, em seus quadris téqui trouxera.
Verga o Caniço, tesa-se o Carvalho;
Reforça o repelão o vento, e alcança
Descarnar a raiz de quem ufano
Roçava os Céus co'a fronte,
Co's pés calcava o inferno.




A galinha dos ovos de ouro Tudo perde a Avareza
Quando quer ganhar tudo.
Para abono, só tomo essa Galinha
Fabulosa, que punha os ovos de ouro.
Crendo o dono que tinha
No ventre dela um tesouro,
Matou-a, abriu-a, e viu-a igual as outras,
Que ovos comuns lhe punham. - Defraudou-se
Do melhor bem que tinha
Que lição para Mirras*!
N'esta era o vimos. Pobres d'ontem a hoje,
Por sôfregos de ser, d'um pulo, ricos.

* Chamamos Mirras aos avarentos, porque deles
se não dira
mais chorume do que da mirra.




O homem de meia-idade as duas damas suas Com meia idade, e já meio-grisalho
Certo homem assentou, que já era tempo
De cuidar n'uma esposa. Ora ele tinha
Cum quibus;
E quem os tem escolhe ao tabuleiro. -
Todas em agradar-lhe se esmeravam;
Mas não tinha tanta ânsia o Namorado:
No acerto estava o ponto.
Quem mor quinhão porém tinha em seu seio
Duas viúvas eram:
Uma já bem-madura, outra inda verde.
A madura, com arte, remendava
Estragos da Natureza.
Ambas rindo com ele, ambas brincando,
Animando, anediando-lhe o cabelo,
Tirava a Velha quantos pretos via,
Para ajeitar o amante à sua idade;
A Moça, com mais gana se ia aos brancos.
Tal recado se deram na melena,
Que ficou nua. - O tal, que deu fé da obra:
(Hom.) Senhoras, que tão bem me
encalvecesteis,
Mais ganhei, que perdi. Dou-vos mil graças.
De esposar não tratemos;
Que entendi da calvice, que cada uma
De vós quer, que a seu gosto,
E não ao meu, eu viva.
Calvo ou não calvo, fico-lhe obrigado
Da lição que me deram.



O lobo e o cordeiro Melhor razão foi sempre do mais forte;
Já o ponho em pratos limpos.
Na clara veia d'um regato a sede
Um cordeiro matava.
Chega esfaimado um Lobo, andando a corso
(Lobo) Quem te deu auso (diz em raiva
aceso)
De vires enturvar a água que eu bebo?
(Cord.) Oh não se agaste Vossa Majestade,
Mas antes considere,
Que além de passos vinte, estou mais baixo,
Bebendo na corrente
E não posso turvar-lhe, em conseguinte,
Por modo algum a veia aonda bebe.
Lobo) Que a enturvas digo: e sei que o ano
passado
Disseste mal de mim.
(Cord) Como o podia
Eu, que nato não era; eu, que ainda mamo?
(Lobo) Pois disse-o teu irmão, se o não
disseste.
(Cord.) Não tenho irmão.
(Lobo) Pois disse-o um teu parente.
Que vós, e vossos cães, vossos pastores,
Nao me poupais em ditos
Ouvi-o a muitos; tenho de vingar-me.
- N'sto, ao cerrado mato o leva o Lobo;
sem mais processo o come.




A morte e o desgraçado De feixes de Montano assoberbado
Pobre Matteiro, que co'a carga verga
Vinha gemendo, a passos mal seguros,
Em busca da palhoça fumarenta.
Mais nao podendo já, débil, anciado,
Deita os feixes no chão, recorda penas.
(Mat) Soube eu, desde que hei nascido, o que
era gosto?
Há quem mais pobre que eu, no mundo seja?
Nunca hora de descanso, e o pão nem
sempre!
Mulher, filhos, tributos e soldados
Credor, lavor sem paga
São a pintura cabal d'um desgraçado.
A Morte chama, - e a Morte não remacha; -
Ei-la - a que lhe pergunta:
(Morte) Que desejas de mim?
(Mateiro) Que me ajudes, e muito diligente,
A por-me às costas estes feixes todos...



A rã que quer quadrar c'o boi na corpulência Vira uma rã um boi formoso e nédio, E ela, que em seu talhe (ao muito) um ovo
iguala,
Estende-se, invejosa, incha-se, esforça-se,
Quer é o boi confrontar-se.
Já diz: "Mana, olhai bem: hombeio c'o ele?
Ou falta quasi nada?"
(Mana) Nada. (Rã) Eis-me agora.
(Mana) Nem por sombras. - Fez tanto a tal
brutinha,
Que enfim arrebentou.
De almas tão parvoas anda o mundo cheio.
Um burguês quer palácio, como um duque;
Quer cada principote embaixadores;
cada marquês quer pagens.



A raposa e a cegonha O compadre raposo fez seu gasto,
E à comadre Cegonha deu convite;
Convite apoucadinho, e sem amanho:
Umas papas. - Não vivia o Raposo
A la grande.
E n'um prato as tais papas pôs na mesa.
C'o longo bico seu picava o prato
A cegonha, mas nada recolhia.
Gil Raposo, co'a língua varredoida,
O prato alimpa em duas lambedelas. -
Por se vingar do logro,
Deixa passar uns tempos,
E convida a Cegonha. Eis ele logo:
(Rap.) Com muito gosto. Eu cá, c'os meus
amigos
Cerimônias não uso.
- A hora-dada, à casa vai correndo
Da hospeda Cegonha.
Louva-lhe a cortesia; - bem guizada.
E a ponto acha a comida.
Nunca a Raposos falha a boa gana.
Já só c'o cheiro lhe regala a cerne
Cortadinha em miúdos comesinhos.
Não stá aí tudo. - Acod um embeleco,
Que é vir à mesa a carne
N'um vaso de gargalo mui comprido. -
E a Comadre ir picando
C'o bico até ao fundo;
Mas a tromba de Gil tendo outro talhe,
Foi-lhe força em jejum voltar a toca
Tão vergonhoso e murcho
C'o rabinho entre as pernas, cabisbaixo, Qual Raposo agarrado por galinhas.
Burlões, convosco falo:
Esperai outro tanto.



A Cigarra e a formiga A Cigarra, a cantar passara o estio;
Eis que assopra o Nordeste, e se acha balda;
Sem migalha de mosca, nm de verme.
Vai, gritando lazeira,
A Formiga, pedir, sua vizinha,
Que lhe empreste algum grão para ir
vivendo,
Té que a nova Estação, bem-vinda, aponte.
Diz-lhe: "A fé de Cigarra, antes de agosto.
Pagarei tudo, principal e juros."
Não ser fácil no empréstimo,
É na Formiga a mácula mais leve.
Com que diz a que vem pedir emprestado:
"Em que lidavas do calor na quadra?"
(Cig.) Ai! faça-me favor. eu, noite e dia,
Cantava a quantos iam, quantos vinham.
(Form) Cantavas? Muito folgo. Dança agora.




O Corvo e o queijo A Ambrosio Corvo, empoleirado na árvore,
Com um queijo no bico,
Gil Raposo, que mui lampeiro acode
Ao faro, quase, quase que assim fala:
"Bons dias, Senhor Corvo,
Como é guapo! Que lindo me parece!
Bofé, se a voz tem garbo igual às plumas,
Nao há Fênix tal nessas redondezas."
- Não cabe em si de gaudio, ao logro, o Corvo.
Abre de par em par o bico, e cai o queijo.
Logo o raposo o empolga.
"Aprenda (assim lhe diz) meu Senhorzinho,
Que todo Lisonjeiro
Vive à custa de quem lhe dá ouvidos.
Certo, que esta lição bem vale um queijo!"
Triste e torvado o Corvo,
Jurou (mas tarde!) não cair mais n'outra.



A galinha dos ovos de ouro Tudo perde a Avareza Quando quer ganhar tudo.
Para abono, só tomo essa Galinha
Fabulosa, que punha os ovos de ouro.
Crendo o dono que tinha
No ventre dela um tesouro,
Matou-a, abriu-a, e viu-a igual as outras,
Que ovos comuns lhe punham. - Defraudou-se
Do melhor bem que tinha
Que lição para Mirras*!
N'esta era o vimos. Pobres d'ontem a hoje,
Por sôfregos de ser, d'um pulo, ricos.
* Chamamos Mirras aos avarentos, porque deles
se não dira
mais chorume do que da mirra.


O galo e a pérola
Deparou c'uma pérola o Galo um dia;
Foi ter c'um lapidário:
(Galo) Eu fina a julgo
Mas dera maior valor a um grão de milho.
- Leva ao livreiro um manuscrito um néscio:
(Nesc.) Tenho-o por bom; mas creio que um
cruzado
Mais préstimo me tem, que o melhor livro.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O gigante que não tinha coração

Era uma vez um rei q tinha sete filhos. Ele estava muito doente e precisava ser substituido, mas queria primeiro ver os filhos casados para depois escolher quem seria seu sucessor. Resolveu dar um cavalo para cada filho para que fossem procurar esposas, já que onde moravam não havia mulheres. Pediu ao mais novo que ficasse com ele para ajudá-lo no castelo e ele concordou, mas o rei pediu que os irmãos trouxessem uma esposa para o mais novo.
Os seis filhos partiram, cada um com seu cavalo e um pouco de comida. Foram em direção da floresta e começaram a procura das esposas. Andaram muitos dias e nada, a fome já estava ficando enorme, pois a comida acabara. De repente, viram ao longe uma luz acesa e se dirigiram para lá. Era um lindo castelo e eles bateram na porta e foram atendidos por um criado. Perguntaram se o rei estava e ele disse que sim. Pediu que entrassem e chamou o rei para falar com eles, pois achou-os muito sujos e esquisitos. Quando o rei chegou, eles contaram porque estavam tão sujos e a verdade sobre a busca de esposas. O rei mandou que tomassem banho, deu-lhes roupas limpas e convidou-os para jantar. Assim fizeram e, qual não foi a surpresa de todos, quando entraram no salão e viram, em volta da mesa, seis lindas jovens. Ficaram muito felizes e pediram ao rei se podiam desposar suas filhas. Ele concordou e, cada um, escolheu a sua preferida. Viveram um tempo no castelo até o casamento, mas depois pediram ao rei para irem ver o pai que os esperava para escolher o sucessor. Assim, despediram-se do rei e foram embora cada um no seu cavalo com a esposa atrás. Nem se lembraram do irmão mais novo. Andaram bastante, até um deles resolver cortar caminho por um atalho e todos concordaram, para encurtar a viagem. Porém, neste caminho morava um Gigante, o gigante sem coração, em uma gruta.Quando eles passaram por ela o gigante fez com que eles virassem estátuas de pedras com seus cavalos e esposas.
O rei, pai deles, estava cada dia mais doente e eles não davam notícia. O filho mais novo(parvo ou simplório), com pena do pai, resolveu que iria procurar os irmãos. O pai pediu que ele não fosse porque só havia uma égua velha no castelo e ele não chegaria a lugar nenhum. Mas ele estava disposto e montou na égua somente com um pedaço de pão para a viagem. Despediu-se do pai prometendo trazer os irmãos de volta ao castelo.
Lá se foi o rapaz andando pela floresta, andou muito até que resolveu sentar-se embaixo de uma árvore e comer um naco do seu pão. Quando comia ouviu uma voz que pedia se ele daria um pedaço para ele. Olhou e viu um Corvo no galho, tirou um naco do pão e deu ao corvo. Este agradeceu e disse-lhe que quando precisasse dele, era só chamar que ele o ajudaria. Ele agracedeu e seguiu viagem. Andou mais e mais e, novamente resolveu descansar, só que estava perto de um riacho e sentou-se na relva, mas logo escutou um gemido e, quando olhou era um Salmão que estava fora dágua se debatendo. Ele pegou-o e colocou dentro do riacho. O salmão disse-lhe que se precisasse dele era só chamar, e mergulhou. Ele continuou sua viagem, mas a égua já não se aguentava mais de pé, ele quase a levava nas costas, mas perto de uma estrada ele avistou um Lobo. Teve medo, mas logo o lobo disse que era amigo e só precisava comer pois a fome era muita. Pediu a ele que lhe desse a égua para comer e ele lhe ajudaria no que precisasse. O rapaz ficou sem saber o que fazer, mas realmente a égua estava mais morta do que viva e ele contou ao lobo porque estava viajando e, esse, na mesma hora, disse saber onde estavam seus irmãos. Sendo assim, ele concordou que o lobo comesse a égua. Após seu banquete, o lobo se fortaleceu e mandou que o rapaz montasse no seu lombo. Assim que ele montou, o lobo saiu em disparada e, rapidamente, chegou a gruta onde estavam os irmãos estátuas. Ele ficou sem saber o que fazer, mas o lobo disse que entrasse na gruta porque aquela hora o Gigante estava fazendo suas maldades. O lobo ficou na porta da gruta tomando conta para avisá-lo quando o gigante chegasse.
Quando o rapaz entrou na gruta teve uma surpresa, pois, sentada numa cama, estava um linda moça. Ele perguntou quem era ela e soube que estava ali pois o gigante sem coração que morava na gruta a tinha roubado de seus pais ainda criança e ela só sairia dali quando alguém encontrasse o coração do gigante e conseguisse matá-lo. O rapaz ficou em pânico, mas ela teve a idéia dele se esconder embaixo da cama e, quem sabe, descobririam onde estava o coração do gigante. Assim fizeram. Quando o Gigante chegou, sentiu cheiro de carne humana e teve um ataque, pois queria comer quem estivesse ali, mas a moça disse que eram ossos que os corvos tinham deixado cair. Ele jantou e foi deitar-se. A moça começou a conversar com ele e perguntar onde estava seu coração. Ele riu muito e disse que estava logo ali na soleira da porta, enterrado. Pela manhã, quando o Gigante saiu, eles foram cavucar a terra da soleira, mas não encontraram nada de coração. Para o gigante não perceber, encheram de flores a soleira da porta. Quando ele chegou ficou irritado, pois não gostava das flores. A moça disse que era para alegrar a casa, mas ele churtou as flores para fora da gruta. À noite foi tudo igual e o gigante disse que mentira e o coração estava dentro do armário do quarto. Pela manhã, eles começaram a busca no armário, mas nada encontraram. Ficaram decepcionados, mas pegaram mais flores e enfeitaram o armário com guirlandas.Mais uma vez o Gigante se enfureceu.Mas não desistiram. Naquela noite a moça foi muito meiga com o gigante, e ele já irritado com a mesma pergunta todos os dias disse : Ninguém encontrará meu coração, porque está dentro de uma Igreja que tem um Poço no meio e dentro do poço tem um Pato e dentro do pato tem um Ovo e dentro do ovo está meu Coração. Como pode perceber é impossível alguém achá-lo. Pela manhã eles estavam tristes, mas o rapaz resolveu tentar achar a Igreja e contou tudo para o lobo, seu amigo. Este, disse para ele montar no seu lombo, que rapidamente estariam na Igreja. Assim foi feito, e logo o rapaz avistou a Igreja. Chegando perto, viram que estava fechada e a chave estava no alto e não conseguiam pegar. Na mesma hora ele lembrou-se do Corvo da estrada e para sua surpresa este apareceu e pegou a chave na parede e deu-lhe para que abrisse a Igreja. Lá dentro ele viu logo o Poço e chegou perto, mas era muito fundo e o Pato nadava lá embaixo. Tentou puxá-lo com dificuldade, mas quando segurou o pato o Ovo caiu no fundo do Poço. Ele ficou desesperado, mas para sua surpresa viu que o Salmão estava dentro do Poço e pegara o Ovo para ele. Ficou radiante com o Ovo nas mãos, mas o lobo lhe disse que, primeiro ele teria que mandar o gigante retirar o feitiço dos seus irmãos e depois ele o mataria. Ele apertou o coração e o gigante gritou. O lobo foi até ele e contou que o rapaz estava com seu coração nas mãos e que ele teria que desfazer as estátuas e mandá-los embora. Quando o lobo voltou, o rapaz apertou com força o Ovo e o Gigante morreu. Eles voltaram até a Gruta, para ver se a moça ainda estava lá e, para felicidade do rapaz, ela estava ainda sentada na cama.Seus irmãos já tinham partido. Ele pediu que ela fosse com ele para conhecer seu pai e ela aceitou. Os irmãos, já tinham chegado ao Castelo e contaram muitas mentiras ao pai, inclusive que, realmente não encontraram o irmão e não tinham trazido esposa para ele por só encontrarem as seis. O pai ficou muito triste pois amava o seu caçula. Porém, no dia seguinte, para surpresa de todos, o rapaz chegou com a linda moça, montados no Lobo. O pai não entendeu nada e então, ele contou toda a história que havia vivido e que fora ele que salvara os irmãos e as esposas deles. O pai ficou radiante, mesmo estando doente, quis festejar o acontecimento e disse que ele seria o seu sucessor e a moça a rainha. Quem ficou mais feliz foi o Lobo que passou a viver com eles no castelo, mas os irmãos ficaram tristes, porque dali em diante tiveram que ser somente empregados do castelo junto das esposas.

Fonte : irmãos Grimm

Os três fios de ouro do cabelo do diabo

Era uma vez, uma pobre mulher que teve um filhinho, e porque ele nasceu envolto numa membrana-da-sorte, foi-lhe profetizado que, aos quatorze anos, ele receberia a filha do rei por esposa.
Pouco tempo depois, o rei chegou à aldeia , e ninguém sabia que ele era o rei. Quando ele preguntou às pessoas o que havia de novo por ali, elas responderam:
- Um dia destes, uma mulher deu à luz uma criança empelicada. Qualquer coisa que uma criança dessas empreender, sempre dará certo e lhe trará sorte. E também foi profetizado, que, aos quatorze anos, ele receberia a filha do rei como esposa.
O rei, que tinha o coração perverso, ficou irritado com essa profecia , foi até aos pais , fingindo muita bondade, e disse:
- Pobre gente que vocês são, já têm tantos filhos que podem me entregar esse para que eu cuide dele.
No começo os pais recusaram, mas como aquele homem estranho lhes oferecia grande soma em dinheiro, eles pensaram: – Nosso filho é uma criança-de-sorte, isso deve ser para o seu bem, e concordaram de entregar o filho ao homem.
O rei colocou-o dentro de uma caixinha e saiu cavalgando com ele, até chegar a uma água bem funda. Então, jogou a caixa na água, pensando: Deste pretendente minha filha está livre!
Mas a caixinha não afundou, flutuou como um barquinho, sem deixar passar para o bebê nem uma gota de água. Assim, foi navegando até bem longe do reino, onde havia um moínho, em cuja barragem ficou presa. Um aprendiz de moleiro, que por sorte estava por ali e viu a caixa, puxou-a para fora com um gancho, pensando que encontrara algum tesouro. Quando ele olhou na caixa, viu um lindo menino dentro dela, muito bem disposto. Então, levou-o ao casal de moleiros, e como eles não tinham filhos, ficaram muito contentes e disseram:
- Deus nos mandou um presente.
Eles cuidaram bem da criança e ele cresceu e se criou com muito caráter e sempre ajudando os pais.
Aconteceu que, num dia de tempestade, o rei entrou no moínho para esperar a tempestade passar e viu o rapaz. Perguntou aos moleiros se era seu filho.
- Não, responderam eles, ele é um enjeitado. Há quatorze anos ele chegou aqui na barragem dentro de uma caixa, nosso aprendiz o tirou da água e nós o criamos como filho.
Neste momento o rei teve certeza que era a criança que jogara na água, ele disse:
- Minha boa gente, será que este rapaz poderia levar uma carta para a raínha? Eu lhe darei duas moedas de ouro como pagamento.
Os moleiros, submissos, responderam, como o senhor rei ordenar e mandaram o rapaz se preparar.
O rei escreveu uma carta à rainha, na qual dizia: Assim que este rapaz, portador desta carta, chegar, ele deverá ser morto e enterrado, isso deverá ser feito antes da minha volta.
O rapaz Pôs-se a caminho com a carta no alforge, mas perdeu-se e chegou ao anoitecer numa floresta. Wle viu uma pequena luz ao longe e dirigiu-se para lá, era uma casinha pequena. Ele entrou, porque a porta estava aberta, e, lá dentro viu uma velha sentada junto ao fogo. Ela assustou-se e perguntou:
- De onde você vem e para onde você quer ir?
- Venho do moínho, disse ele, vou procurar a senhora raínha , a quem devo entregar uma carta. Porém, como me perdi na floresta, gostaria de passar a noite aqui.
- Pobre garoto, disse a velha, você veio parar numa casa de salteadores. Quando eles voltarem vão matá-lo.
- Pode vir quem quiser, disse o rapaz, eu não tenho medo. Estou tão cansado e não posso mais andar. Ele se espichou num banco e adormeceu.
Logo depois dele ter dormido chegaram os salteadores e perguntaram , furiosos, quem era o estranho deitado alí e dormindo?
- Ora, disse a velha, é apenas um inocente que se perdeu ma floresta e eu deixei que ficasse aqui para descansar, porque ele vai levar uma carta para a raínha.
Os salteadores foram no alforge do rapaz e pegaram a carta e leram o que estava escrito. Então, eles sentiram dó do rapaz e escrveram outra carta, dizendo que assim que o rapaz chegasse , devia casar com a princesa , filha do rei.
Pela manhã o rapaz agradeceu e seguiu viagem sem saber que as cartas foram trocadas do seu alforge.
Quando chegou ao palácio deu a carta à raínha que a leu e fez o que rei ordenava. Mandou preparar uma grandiosa festa de casamento e a princesa casou-se com o rapaz filho-da-sorte.Ela gostou porque o rapaz era belo e educado.
Passado algum tempo, o rei voltou e viu que sua filha estava casado com o rapaz que ele mandara matar.
Chamou a raínha e perguntou: – Como foi que isso aconteceu? Eu dei outra ordem na carta que mandei.
Porém, a raínha lhe mostrou a carta que recebera e disse que ele podia ler o que estava escrito. O rei leu e logo percebeu que a carta havia sido trocada. Chamou o rapaz e perguntou o que acontecera com a outra carta que ele lhe entregara.
Eu não sei de nada disse o rapaz. Só se foi trocada na noite que dormi na floresta.
Raivoso o rei falou:
- Isto não vai ficar assim. Quem quiser a minha filha , terá de trazer-me do inferno, três fios de ouro da cabeça do diabo.Se você conseguir ficará com a princesa.
O rei esperava livrar-se de vez do rapaz, mas o filho-da-sorte respondeu: – Vou buscar os cabelos de ouro. Não tenho medo do diabo.
Dizendo isso, o rapaz despediu-se da princesa e começou sua busca.
O caminho levou-o a grande cidade , onde o guarda do portão lhe perguntou qual era o seu ofício e o que ele sabia .
- Eu sei tudo, – respondeu o filho-da-sorte.
- Então, você pode fazer-nos um favor, – disse o guarda, explicando-nos por que o poço da nossa praça do mercado, que sempre fez brotar vinho , agora está seco e não nos dá nem água.
- Isso vocês vão saber quando eu voltar. Esperem por mim.
O rapaz continuou seu caminho e chegou a outra grande cidade. Lá os guardas do portão também lhe perguntaram qual era o seu ofício e o que ele sabia.
- Eu sei tudo, – respondeu o filho-da-sorte.
- Então, você poderá fazer-nos um favor, explicando-nos por que razão uma árvore que temos nesta cidade, que sempre deu maçãs de ouro, agora não nascem nem mesmo folhas.
- Isso vocês ficarão sabendo quando eu voltar. Esperem por mim. E continuou seu caminho, até que chegou a um grande rio que precisava atravessar. O barqueiro perguntou-lhe por que ele sempre tinha que ir e vir e nunca podia se libertar do barco.
- Isso você ficará sabendo quando eu voltar. Esper por mim.
- Atravessou o rio com o barqueiro e encontrou a entrada do inferno. Lá dentro estava tudo escuro e o diabo não se encontrava em casa, mas para sua surpresa a sua avó estava sentada numa grande poltrona e lhe perguntou quando o viu.
- O que você quer? perguntou ela mansamente e com bondade.
- Eu gostaria de ter três fios de ouro da cabeça do diabo, senão perderei minha esposa.
- Isso é querer muito, – disse ela. Quando o diabo voltar e o encontrar aqui, você vai se dar mal. Mas tenho dó de você e vou tentar ajudá-lo.
Então, ela o transformou em formiga e disse:
- Esconda-se na barra da minha saia, você ficará seguro.
- Sim, disse ele, isto já é bom, mas eu gostaria de saber três coisas também: por que o poço que dava vinho não dá mais; por que a árvore que dava maçãs de ouro também está seca e por que o barqueiro tem sempre de estar indo e vindo, sem nunca poder se libertar?
Essas são perguntas difíceis, mas fique bem quieto e preste atenção no que o diabo disser quando eu lhe arrancar os três cabelos de ouro.
Quando anoiteceu, o diabo chegou em casa e percebeu cheiro de carne humana. Espiou por todos os lados , mas nada encontrou. A avó brigou com elepor ter desarrumado toda a casa e mandou que sentasse para jantar.
Depois de comer muito e beber o diabo pediu que a avó catasse seus piolhos. Não demorou muito e ele adormeceu. A velha aproveitou e puxou um fio do cabelo e guardou no bolso do avental.
- Ai! Gritou o diabo, – o que está fazendo?
- Tive um mal sonho e me agarrei nos seus cabelos.
- O que foi que sonhou?
- Sonhei que um poço de uma cidade que dava vinho secou. Por que será?
- Ah, se eles soubessem que é um sapo que está escondido no fundo eles o matariam e voltavam a ter vinho.
A avó continuou catando os piolhos até que ele dormiu novamente e ela arrancou outro fio de cabelo e colocou no bolso do avental.
- Ui! O que está fazendo agora? Gritou ele zangado.
- Meu neto, tive outro sonho estranho.
- E o que você snhou?
- Sonhei que num certo reino, havia uma árvore que dava maçãs de ouro e agora não dá nem folhas.
- Se eles soubessem! disse o diabo. É um rato que está roendo a raiz da árvore e se o matarem tudo voltará a ser como antes. Mas vovó se me acordar de novo dou-lhe um bofetão!
- A avó acalmou-o, catou-lhe mais piolhos e ele voltou a dormir. Aí ela arrancou o terceiro fio de cabelo e colocou no bolso. O diabo deu um pulo do seu colo berrou que ia fazer e acontecer, mas ela pediu desculpas pois tinha tido outro sonho esquisito.
- Qual foi o sonho desta vez?
- Bem, sonhei com um barqueiro que reclamava de viver indo e vindo sem poder se libertar.
- Ora, o bobalhão tem que aproveitar quando vier alguém andar no seu barco ele aproveita e dá o remo na mão da pessoa e ele ficará livre pulando na margem.
Como a avó já conseguira arrancar os três fios de cabelo e sabido as respostas às três perguntas, ela deixou-o dormir sossegado.
Pela manhã quando o diabo saiu para fazer suas maldades, a velha tirou a formiga da barra da saia e fez o rapaz voltar a sua forma humana.
- Aqui tem três fios do cabelo de ouro do diabo e as respostas você deve ter ouvido.
- Sim, respondeu o rapaz, escutei tudo e não me esquecerei.
Ele agradeceu muito a velha avó pela ajuda, e saiu do inferno, bastante contente por ter tanta sorte. Quando chegou à margem o barqueiro logo perguntou se ele tinha alguma resposta.
- leve-me primeiro para a outra margem e vou lhe dizer como você poderá se libertar.
Quando desceu do barco disse ao barqueiro como se livrar. Era só colocar o remo na mão de quem estivesse no barco.
Ele continuou seu caminho de volta e chegou na cidade da árvore e disse : Matem um rato que rói a raiz da árvore e tudo voltará a ser como antes. O guarda lhe agradeceu e deram-lhe de recompensa dois burros carregados de ouro.
Ele andou mais e chegou na cidade do poço. Disse ao guarda que matassem o sapo que havia no fundo e teriam vinho novamente.O guarda agradecido lhe deu mais dois burros carregados de ouro.
Finalmente o filho-da-sorte chegou ao palácio e pode encontrar sua mulher que o esperava e ficou muito feliz dele ter conseguido trazer os três fios de ouro do cabelo do diabo.
Ele entregou os três fios ao rei e quando o rei viu os quatro burros cheios de ouro, ficou muito contente e disse que ele podia ficar casado com sua filha. Porém, disse o rei, quero que você me diga de onde vem todo este ouro?
- Bem, disse o rapaz, atravessei o rio e peguei o ouro ali, na margem.
- Será que eu também posso ir buscar um pouco deste ouro? Perguntou o rei ambicioso.
- Quando o senhor quiser, respondeu o rapaz. Há um barqueiro que vai levá-lo para a outra margem, onde poderá encher muitos sacos de ouro.
O rei ganancioso resolveu partir sozinho e com pressa. Chegou e viu o barqueiro pedindo para atravessá-lo. O barqueiro quando chegou na outra margem pegou o remo e colocou na mão do rei e pulou rápido para a margem. E o rei, desde então, virou barqueiro indo e vindo de lá pra cá e de cá pra lá.



Um conto dos irmãos Grimm

O Rei Sapo

Era uma vez, um rei cujas filhas eram todas belas, mas a mais nova era tão linda que chegava a incomodar as outras.
Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço.
Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita.
Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:
- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?
Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora dágua.
- Ah, és tu, velho sapo? disse ela. Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.
- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?
O que tu quiseres, querido sapo disse ela, – meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.
O sapo respondeu;
- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?
O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa.
A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.
O sapo gritou leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!
Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo.
No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:
- Filha do rei, a mais nova abre para mim!
Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.
O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:
- Minha filha, de que tens medo? Há algum gigante na porta querendo te levar?
- Oh, não, mas é um sapo nojento.
- E o que este sapo quer de ti?
- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora dágua. Agora está lá fora querendo entrar aqui.
Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:
Princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
lembras o que ontem
prometeste a mim,
lá junto do poço?
prometeste, sim!
princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
Então o rei disse:
- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!
Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:
- Leva-me para junto de ti!
Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.
Quando o sapo já estava à mesa ele disse:
- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!
A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!
Finalmente ele disse:
- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.
A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?
Mas o rei zangou-se e ordenou:
- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:
- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. Agora me deixará em paz, sapo nojento!
Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.
Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse.
Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar.
A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera.
Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou.


Fonte : irmãos Grimm

As três penas

Era uma vez um rei que tinha três filhos. Dois deles eram inteligentes e sensatos, porém o mais novo, era chamado de Simplório ou Bobalhão.
Quando o rei sentiu que estava ficando fraco, começou a pensar em deixar o trono, mas não sabia a qual filho deveria passar a coroa. Pensou muito, chamou os três filhos para junto dele e falou:
- Saiam em viagem e aquele que trouxer o mais lindo Tapete, será meu sucessor. Mas, para que não houvesse discussão entre os três em relação ao caminho a seguir, o rei levou-os para a frente do Castelo, pegou três penas e soprou-as para o ar dizendo:
- Para onde elas voarem, para lá ireis.
A primeira voou para o oeste, a segunda para leste e a terceira caiu no chão perto do mais novo. Assim, um irmão foi para a direita, o outro tomou a esquerda, mas ficaram zombando do mais novo que não poderia ir para lugar nenhum, porque a pena tinha caído no chão e ele teria que ficar ali no mesmo lugar.
Simplório sentou-se no chão, muito triste, mas de repente, ele viu um alçapão e resolveu abri-lo. Quando levantou a tampa ele viu que havia uma escada para baixo. Resolveu descer para ver o que podia encontrar. Lá embaixo, encontrou uma porta, bateu e ouviu uma voz que dizia:
Donzela menina,
Verde e pequenina.
Pula de cá para lá
Ligeiro vai olhar,
Quem lá na porta está.
A porta abriu e ele viu uma grande e gorda sapa sentada e rodeada por uma porção de sapinhos pequenos. A gorda sapa perguntou o que ele queria, ele respondeu sem graça:
-Eu gostaria de ter o mais lindo Tapete que exista, para me tornar rei.
Aí a sapa chamou uma sapinha e lhe disse:
Donzela menina
Verde e pequenina
Pula de cá pra lá
Ligeiro vá buscar
A caixa que lá está.
A sapinha trouxe a caixa que era bem grande e a sapa gorda abriu-a tirando de dentro dela o mais lindo e fino Tapete que existia na terra e entregou-o ao rapaz. Ele agradeceu e subiu de volta.
Os outros dois irmãos, porém, julgando-se muio sabidos, não procuraram nada. Pegaram, cada um, uma pastora de ovelhas e tiraram sua grossas mantas para levar ao rei e dizer que eram Tapetes.
Quando chegaram, o mais novo estava entrando no Castelo, trazendo o maravilhoso Tapete.
Quando o rei viu o Tapete, admirou-se e disse:
- Por direito e por justiça, o reino deve pertencer a ele, meu caçula.
Na mesma hora os outros dois reclamaram dizendo ser impossível ele se tornar rei. Pediram mais uma tarefa ao pai. Este lhes falou:
- Herdará o meu reino aquele que trouxer o mais belo Anel que existir.
Simplório mais uma vez desceu pela escada do alçapão e contou o que acontecera para a sapa gorda, dizendo o que precisava agora.
A sapa na mesma hora chamou a sapinha e lhes disse a mesma coisa.(repetir verso)
Quando a sapa abriu a caixa, ela tirou o mais lindo Anel que já se viu, cheio de pedras e brilhantes.
Os dois mais velhos mais uma vez não se preocuparam e pegaram pelo caminho aros de uma roda e levaram ao rei.
Quando o mais novo chegou com o maravilhoso Anel, o rei novamente disse que ele seria o novo rei, mas os irmãos não se conformaram e pediram uma última chance.
O rei resolveu conceder o pedido, mas disse que seria a última tarefa, definitivamente. Eles teriam que trazer a mais linda Moça que encontrassem.
Simplório desceu novamente as escadas para falar com a sapa e dizer-lhe que precisava de uma linda Moça.
-Ah, disse a sapa, esta não está à mão assim, de repente, mas vais recebê-la.
Ela deu-lhe um nabo oco, com seis camundongos atrelados nele.
Simplório perguntou a ela o que fazer com isso?
A sapa respondeu:
- Ponha uma das sapinhas pequenas aí dentro.
Ele agarrou uma sapinha e colocou-a dentro do nabo oco. Nem bem ela sentou-se, transformou-se numa lindíssima Moça, o nabo virou uma carruagem e os camundongos lindos cavalos. Ele partiu para casa.
Os dois nem se preocuparam em procurar Moça bonita, levaram as primeiras camponesas que encontraram pelo caminho.
Quando o rei viu as três, nem pensou, decidiu que o reino era do mais novo, por direito e por justiça.
Mais uma vez os dois gritaram que não era possível Simplório ganhar a coroa e exigiram que o reino fosse dado ao que conseguisse que a Moça escolhida saltasse através de um aro que pendia do teto do salão. Eles pensavam que as camponesas iriam conseguir, porque a outra tinha um jeito franzino e fraco.
O rei aprovou a idéia e pediu que as três pulassem. Mas as camponesas eram tão desajeitadas que caíram no chão ao pular e uma quebrou a perna e a outra o braço. A fraquinha pulou então, e atravessou o arco com leveza sem se machucar.
O rei não discutiu mais e deu a coroa para o Simplório. Este, como era muito bom, deixou que os irmãos continuassem a morar no Castelo com suas camponesas, as quais passariam a fazer todo o serviço.
Desta maneira todos ficaram felizes e Simplório mostrou-se um ótimo rei.


Fonte :
Um Conto dos Irmãos Grimm

A FAMÍLIA DAS TARTARUGAS

Tema - Cooperação. - Indicação 4 a 7 anos.
Motivação, fixação, e verificação: a critério do Evangelizador.
Desenvolvimento:


No meio de uma grande e linda floresta no meio de enormes pedras, morava um casal de tartarugas.

Dona Dodó e Seu Zico viviam muito tristes, porque não tinham filhos. Sua casa estava sempre silenciosa, sem qualquer barulho de tartaruguinhas brincalhonas.

Certa tarde Dona Dodó foi visitar sua comadre Dona Coelha e conversaram bastante sobre a vida. Dona Dodó falou da tristeza de não ter filhotinhos em casa. Dona Coelha ao contrário dizia que tinha muitos coelhinhos. Era uma alegria vê-los brincando na grama verde do quintal.

Seu Zico foi pescar junto com o Sapo e o Esquilo que eram bons companheiros de pescaria. Tinham um pesqueiro na barranca do rio. Lá divertiam-se a valer. Voltavam sempre com muitos peixes para as mamães fritarem.

Dona Dodó despediu-se de comadre Coelha e voltou para casa. Teve uma surpresa tão grande que quase desmaiou. Na Sua pequena toca, entre as grandes pedras, estavam cinco lindas tartaruguinhas, chorando de fome.

Dona Dodó, esperou seu Zico chegar da pescaria e conversou com ele sobre as tartarugas.

Estavam assustados. De repente apareceram cinco de uma só vez. Estavam alegres, com o acontecido.

Que bom, Deus nos mandou estas lindas tartarugas. São os filhos que não tivemos.

Agora já temos alegria e barulho com as crianças brincando, disse o Seu Zico.

Mas como eles iriam continuar morando em uma casa tão pequena, com tantas tartaruguinhas. Teriam que se mudar.

Procuraram .... Procuraram....E nada de encontrar, um casa maior para todos morarem.
Conversando com Dona. Onça Pintada, ficou sabendo que ela tinha uma casa bem maior para alugar. Só que Dona Onça queria de aluguel 10 pés de alface por mês . Ficaram felizes por alugar a casa de Dona Onça, mas teriam que trabalhar bastante, para poder pagar o que a dona da casa queria, além de terem que sustentar as pequenas tartarugas.

Os dias foram passando, Papai e Mamãe, andavam muito cansados, de tanto trabalhar na horta. Faziam canteiros e mais canteiros de verduras e legumes. Apanhavam verdura para os filhotes e para Dona Onça.

Em uma noite de chuva ao voltarem para casa, não encontraram os filhinhos. Levaram um enorme susto.

Onde estarão as crianças? Perguntava a mamãe aflita.

Não se assuste disse o papai.- eles devem ter ido para perto do rio brincar, e se esqueceram de voltar para casa.

Uh...Uh....Chorava Dona Dodó,

_Eu quero as minhas crianças. Procuraram por todos os lugares, sem encontra-los. Nem sinal deles. Mamãe Tartaruga, já estava cansada de procurar.

Em seguida, avistaram lá ao longe as tartaruguinhas que vinham carregando braçadas de verduras.

Meus filhos, meus queridos filhinhos onde andaram perguntou Dona Dodó enxugando as lágrimas.

Seu Zico foi encontra-los para saber o que tinha acontecido.

_Papai, Mamãe não se aborreçam disse a tartaruguinha maior.

_Vejam o que nós trouxemos, disse a outra, mostrando um lindo maço de alface.

_Meus filhos, não deviam sair de casa assim, sem avisar.

_Mas mamãe, nos só queríamos ajudar. Nós fomos trabalhar, para colher mais alfaces e ajudar a pagar o aluguel. Fizemos uma horta perto do rio e colhemos verduras e legumes para cooperar com nossos queridos Pais.

_Dona. Dodó e Seu Zico ficaram contentes, pois viram que seus queridos filhotes, já estavam crescidos e podiam ajuda-los a trabalhar. Mais contentes ficaram ainda por ver que eles gostavam de ajudar aos Pais, fazendo algum serviço. Isto é COOPERAÇÂO.

FIM

O CAMINHO

De Roque Jacintho
Tema: Caridade Material e Caridade Moral

No meio da floresta, Chim, o coelho, vivia suspirando. Lera em algumas páginas do livro que o Senhor Vento lhe trouxera à porta da casa, noticias de mundos venturosos. Ficara sabendo, desde então, que existem lugares alem de sua terra natal, onde os habitantes eram limpos, muito limpos e, com isso, passara a notar o pó e a lama que o recobriam. Ainda mais abismado ficará ao inteirar-se de que, naqueles mundos, os seres não precisavam andar sobre os pés. E nem se arrastar morosamente como os répteis. Dispunham de outros meios de locomoção. Tudo também era fartura. Foi então que começou a suspirar.

Guardava dentro do coração, o desejo de tornar-se semelhante àqueles seres e, como faltassem algumas páginas do volume em que se instruía porque o Senhor Vento as distribuíra em outros locais, ignorava o CAMINHO que poderia conduzi-lo até lá. Perguntou sobre o caminho a um e outro de seus companheiros, julgando que alguns poderiam Ter lido as páginas que faltavam. O sapinho saltitante não sabia de nada e nem estava interessado em saber.

A senhora Lesma indignada protestou:

_ È impossível existir esse mundo.

Mas eu li - afirmou Chim.

São carambolices de escritores. O papel aceita tudo e muito me admira vê-lo tão confiante. Alem disso, de que modo eu, poderia movimentar-me lá. Se lá ninguém se arrasta?

Chim coçou a cabeça, desconhecendo a resposta. O certo é viver minha vidinha, disse a senhora Lesma, dando por finalizada a entrevista. Fora dito aqui, nada existe.

E o nosso coelho seguiu estrada afora, em busca de seu amigo Dr. Chipanzé. O caminho para a casa do Dr. era longo, Tinha que atravessar uma trilha longa e cheia de curvas. Mas Chim não desanimava, porque queria muito saber o CAMINHO para os mundos felizes. Tinha certeza que o sabido Chipanzé saberia ensinar, pois era uma criatura cheia de conhecimentos.

Finalmente chegou. Após os cumprimentos formais e as indagações do coelho, disse o Dr. Chipanzé, muito imponente com seu monóculo, Se houvesse alguma coisa além, estaria aqui nos meus alfarrábios. Mostrando sua biblioteca, e falou: Todas as coisas reais do mundo estão aqui E fora destas afirmações dos grandes sábios, nada mais existe. Mas eu li, afirmou Chim convicto. O Dr. Fez-se de médico e mandou.

Abra a boca!

Chim abriu.

Hum... você está com a garganta inflamada, e isso deve perturba-lo. Olhou bem para o coelho e tornou a mandar.

Cruze as pernas.

Chim obedeceu.

Seus reflexos....- murmurou o Dr. Batendo na rótula, você está excitado!

O que quer dizer Dr. Isso tudo quer dizer que você está doente. E doentes daqueles que tem alucinações, sonhando com mundos que não existem.

Estou doente mesmo?

I-NE-VI-TA-VEL-MEN-TE. Sofre uma crise de sonharias!

Mas não se preocupe! Algumas consultas que lhe faça e estas pílulas... Tome e seu estado será resolvido.

Muito desolado saiu Chim.

O coelho voltava para casa, com a receita do Dr. Chipanzé no bolso, quando cruzou com o Velho Hipopótamo, que tremia muito, com sua bengalinha na mão. Imediatamente Chim fez-lhe a pergunta sobre o CAMINHO Ah! Meu filho, respondeu tremendo o Velho Hipopótamo.

Arrumando os óculos. Depois que a dona idade me fez o que fez, tenho pensado muito nesse mundo feliz.
Então não sou eu só a pensar?

Longe disso meu filho.... A dona Idade apresentou-me outro dia um senhor muito sisudo, chamado JUISO me falou desse mundo.

E ensinou o CAMINHO?

Deixe-me ver....HUMMM....Sabe Chim, ando com a memória um tanto fraca, além disso tremo tanto que algumas idéias me caem fora da cabeça....A!.... Lembrei-me.....Quando perguntei, qual o segredo para chegar ao mundo feliz, o Senhor Juízo me disse que as crianças poderiam ensinar-me a direção bem certa.

Despediram-se após as informações.

Chim reanimado, correu até o jardim da infância.

Claro que sei afirmou o pequeno Sagüi inquieto e saltitante dentro de sua roupinha de retalhos, mas tenho que ir brincar com meus coleguinhas. Diga-me sagui onde o caminho para os mundos felizes.

Sagui pensou, pensou, e disse: Sua mãe não lhe ensinou a fazer orações?

Sim afirmou prontamente o coelho ficando vermelho e confessando: Mas esqueci. Fale então primeiro com Dona Memória Ela trará para você a Oração Esquecida, e, na companhia de Oração esquecida, você verá que acaba vindo algum gênio desse mundo feliz. Ele mesmo ensinará o caminho certo.

Chim seguiu fielmente a intrusão do pequeno Sagui. Dona memória trouxe sua companheira, a oração esquecida. Uma luz se formou a frente de Chim.

Desta luz surgiu um espírito iluminado muito belo e resplandecente.

Você me chamou Chim? O coelho estava engasgado e receoso. Não temas, sou apenas um daqueles que habitam os mundos felizes do Universo, com os quais você sonha. Estive inclusive, a acompanha-lo durante o dia.

Seguiu-me?

Segui-o e inspire-o em sua busca.

Viu as pílulas que o Dr. Chipanzé me receitou?

Vi, - Nosso mundo, por enquanto, está alem da ciência dele. Não que algo façamos para separar-nos. Acontece que na companhia do Bichinho do Orgulho, o Dr. Chipanzé há de seguir morosamente. Só no futuro, ele compreenderá que você não estava sofrendo de sonharite aguda, mas que despertava para os anseios de libertar-se de seus próprios enganos.


Qual o caminho, para chegar até vocês?

A CARIDADE! È o único CAMINHO que nos leva na direção do infinito.

CARIDADE?

Sim, ser bom, fraterno, amigo, socorrendo a todos.

Já um grande missionário que veio em visita a Terra, destinado a ensinar disse: FORA DA CARIDADE NÂO HÀ SALVAÇÂO.
Se esse é o CAMINHO, serei caridoso.

Ótimo! Voltarei para vê-lo, depois que você se puser a trabalhar, porque CARIDADE jamais será simples promessa ou mero desejo. Deverá ser realização imediata, para que seja mais fácil e compreensivo nosso entendimento. Sem dizer mais nada, o espírito desmaterializou-se.

Chim deitou-se, resolvido a ser caridoso. Mostrava nova disposição, e para ser grato, fez uma oração ao Pai Celestial, rogando inspiração para o seu novo propósito dentro da vida.

No dia seguinte, Chim passou para o serviço. Armou um grande seleiro, onde armazenaria cenouras em grande quantidade para depois, distribui-las aos viandantes famintos. Com isso pensava com seus botões, estaria extremamente caridoso. Para com todos.

Terminada a construção, movimentou-se para abastece-la.

Dirigiu-se então a casa do Sr. Leão. Lá expôs o seu programa de assistência e recebeu autorização para, no quintal colher quanta cenoura houvesse. Porém, falou o dono da casa zeloso, Não me pise uma só plantinha!

Chim garantiu que seria cuidadoso. Ao penetrar nos campos cultivados, porém, não conseguiu evitar pisotear algumas plantas mais tenras. E com o incidente, o Leão saltou sobre ele, aos gritos e ameaças.

Chim foi atirado a rua com cenoura e tudo. Revoltado com o tratamento, o coelho gritou contra a brutalidade do seu enraivecido hospedeiro e, censurando a sua ferocidade, rumou para o celeiro com as primeiras cenouras.

No dia seguinte, bateu à porta de Dona Onça.

Ora, ora, disse a onça, após ouvi-lo. Cenoura acredito que não tenho. Posso procurar em seu campo? Claro que sim, e se encontrar, leve tudo, Chim. Ele foi realmente. Dona Onça todavia, que era gulosa por coelhos assados, tratou de acender o seu forno e passou a segui-lo sorrateiramente.


Emboscava-se atras das arvores, ensaiando botes, enquanto Chim procurava as cenouras. Sem nada encontrar, ele subiu em uma pequena arvore. Lá de cima veria todo o campo, Tão entretido estava no galho em que fazia de seu mirante, que não percebeu Dona Onça, subindo mansamente, traiçoeiramente, e mal viu quando ela saltou para apanha-lo. O galho, contudo era fraco e ambos caíram

Chim correndo e gritando, fugiu com algumas poucas cenouras, jurando que nunca mais pisaria na casa de alguém tão vil e tão falso, qual a dona Onça.

Agora, visitaria Dona Sucuri. Ao sair de casa porem, já meio atrasado, escorregou numa casca de banana e, com o impulso, foi atirado dentro de um taxo de sabão que estava esfriando. Chim ficou aborrecido com o incidente. Resmungou, resmungou, mas como estava decidido a completar o celeiro em pouco tempo, não se deteve em limpar-se e, assim, cheirando a sabão, chegou à furna de Dona Sucuri.

Posso entrar? Perguntou da porta.

Pode queridinho! Animou Dona Sucuri, reconhecendo a voz de Chim e pensando que entrar ele podia, mas sair é que seria difícil, já que corriam mais de vinte dias que Dona Sucuri não ingeria nada tão delicioso quanto a carne tenra de um coelho. Pode entrar queridinho! Ele agradeceu e falou de seu plano de assistência.

Que maravilha! Fingiu Dona Sucuri, Adivinhei os seus planos Chim. Tanto é verdade que, no fundo desta minha furna, estou com um mundo de cenouras.

Que bom! Aplaudiu Chim.

Dona Sucuri sorria.

Vá ate lá e carregue quanto puder. Efetivamente Chim encontrou as cenouras. Encheu duas sacolas, a mais não poder, e já as punha as costas, vergando sobe seu peso, fazendo mil agradecimentos, quando Dona Sucuri sempre sorrindo o chamando de queridinho, o enlaçou pela cintura.

Ei, o que é isto? Protestou Chim esperneando. Vou ajuda-lo! E sorrindo sempre, ela fechou o laço em torno do pobre coelho.
Vou ajuda-lo e...abocanha-lo também, seu grande tolo1 Quando dona Sucuri apertou mais o laço... zupt... Chim escorregou fora, porque estava todo liso de sabão. E disparou para longe da furna.

Hipócrita, danada! Ele gritava enquanto fugia.

O celeiro estava quase repleto de cenouras. Procurou, então, Dona Raposa e foi encontra-la acamada.

Ah! Chim....gemia Dona Raposa. Tive uma indigestão violenta.... Comi alguns ovos e cá estou marcada a pauladas, porque o "seu" Zico me apanhou com a boca na botija!

Chim falou de imediato de seu plano de assistêncial!

Você bem vê que eu não sou rica! Desculpou-se a doente. O que tenho, mal dá para meu sustento.

Falta uma apenas...suplicou Chim humildemente.

Não que eu seja miserável, Chim saiu-se ela jeitosamente, mas se não pensar no meu futuro, quem acaba pobre sou eu. E, afinal, preciso de muita energia, porque não são brincadeiras entrar no galinheiro de "seu" Zico.

Chim continuou insistindo e começou a maldizer a usura.

Dona Raposa, por outro lado justificava-se sempre.

Nunca encontrei ninguém, mais sovina, Dona Raposa.

Dito isto, o coelho retirou-se, fazendo bater a porta. Na entrada, porém, encontrou uma cenoura perdida à margem do caminho, esquecida por todos e, muito feliz com o achado, saiu correndo para completar o seu celeiro.


Chim deitou-se, naquela noite, muito risonho. No dia seguinte iniciaria o seu serviço de caridade. O senhor vento, veio bater na sua janela, com muita força, avisando que o céu está nublado! Vai chover! Vai chover! Começaram a cair relâmpagos na floresta. Chim agasalhou-se, e correu a trancar o celeiro para salvar as cenouras da chuva forte.

A Dona Enchente vem vindo! Salve-se quem puder! Chim tremendo, ficou a escorar a porta do celeiro.

Ai Dona Enchente fez-se valentona. Arrombou a porta, e carregou todas as cenouras, destruindo o seu plano de CARIDADE e até derrubou o celeiro que chim construíra com tanto carinho.

Ele ficou desolado. Olhava, muito aborrecido, Dona enchente carregar as suas provisões crendo que se veria impedido de alcançar o MUNDO FELIZ, deixava que o desanimo fizesse ninho em seu coração.

Chim estava triste ainda, quando Dona Memória e Dona Oração Esquecida vieram anima-lo. Vamos todos juntos atrair o bom espírito que ensinou ser a CARIDADE o caminho para o mundo feliz.

Realmente assim aconteceu.

O espírito se fez presente.

Chim muito afoito, nem esperou a saudação e falou.

Fiz tudo para iniciar a CARIDADE. Construi celeiro, visitei doadores e juntei cenouras! Umas das que estavam armazenadas, apodreceram as que restaram, veio Dona Enchente e as carregou.

O espírito ouvia pacientemente.

Por isso, fui impedido de realizar os meus planos. Não tive tempo e nem terei outras oportunidades.

Chim, ponderou o espírito amigo. È louvável que procuremos alimentar os que têm fome. Esse é um passo em direção a CARIDADE. Não há dúvida1 Mas se caridade fosse somente isso, que seria dos pobres, aos quais faltassem recursos para doar aos semelhantes?

Acredita que eles não tenham o direito de salvar-se?

Ora, mas eu....

Desde o nosso primeiro encontro Chim, repetidas vezes estamos criando oportunidades de você exprimir a caridade. No entanto em nenhuma vez se identificou com os nossos esforços de traze-lo até nós.

O coelho estava encabulado.

Não entendo.... falou sinceramente.

Você não visitou o Sr Leão?

Oh! Sim! Mas ele foi agressivo comigo.

Diante da agressividade, A PACIÊNCIA é a resposta da CARIDADE em ação, Chim. Sê fosse TOLERANTE com o Leão, teria sido caridoso pela primeira vez.

Depois de uma pequena pausa, o espírito indagou: Você não visitou Dona Onça?

Claro! E lembro-me muito bem do bote que a traiçoeira me deu.

Mas diante da traição, você deveria mostrar-se manso e Pacificador, meu caro Chim, porque MANSITUDE E BONDADE, podem transformar.

A Onça traiçoeira em um amigo nosso.

Outra pausa.

Você não visitou Dona Sucuri?

Visitei...mas quase que ela me abocanha!

O seu mergulho no tacho de sabão, explicou o espírito, foi providencia que tomamos a seu favor, se bem que você reclamou "contra a falta de sorte". E se, diante da máscara do falso sentimento, da falsa doçura de Dona sucuri, você se houvesse contido, ela poderia Ter melhorado um pouquinho Chim. Foi a terceira oportunidade de Ter sido CARIDOSO.....

E por último levamos você a casa de Dona Raposa. A velha matreira estava doente de tanto comer ovos da granja de "seu" Zico. Alem de ser companhia indesejável, negou-se terminantemente a colaborar comigo.

A enfermidade de dona Raposa, era um recurso para conserva-la na cama e faze-la refletir. Estava pronta para ouvi-lo meu filho. Quando se mostrou manhosa e irredutível, você deveria ajuda-la. Somente vendo alguém interessar-se por suas dificuldades, é que ela poderia mudar o seu destino.

Chim, que não sabia mais o que falar, acabou dizendo:

Mas se não fosse a Dona Enchente....

O sábio espírito compreendeu e declarou: Sim se não fosse a Dona Enchente, você poderia distribuir as cenouras aos famintos da floresta. Mas devemos agradecer os imprevistos, neles reconhecendo um sinal do Pai a nosso favor, a fim de não nos deter-mos a amealhar laboriosamente apenas os bens materiais, julgando que somente com eles exprimiremos os sentimentos do amor fraternos.

E, muito compenetrado o espírito ponderou: Quando inspiramos a você a idéia de distribuir cenouras, foi para leva-lo a conviver com alguns doadores, que também são grandes necessitados da CARIDADE MORAL.

A favor deles, doadores dos bens materiais, A CARIDADE MORAL, se faria presente por seu intermédio.

Chim, pendeu a cabeça tristemente.

Suspirava tanto por encontrar o CAMINHO.

Nada porem está perdido, disse o espírito, lendo-lhe o pensamento de desanimo. Amanhã a Dona Enchente se terá retirado da floresta e você poderá começar tudo de novo, começando pela casa do Sr Leão.

Chim acendeu os olhos.

Aceitou a sugestão e deitou-se na cama.

Dormiu então, esperançoso e feliz.


FIM.